Genética e obesidade


Outro dia estávamos na academia treinando e uma conhecida que não víamos há anos nos encontrou e efusivamente disse: nossa vocês dois não mudam, continuam com a mesma carinha e o mesmo corpinho. Logo me enchi de alegria pensando: “sou como um fusca, não importa o ano de fabricação, mas o estado de conservação, rsrsr”. Em seguida, ela desferiu o golpe mais duro do comentário: “ah é a genética, vocês dois tem genética boa”.

De fato, minha genética e da Lu são boas, resultado dos genes de nossos pais como de todos nós.  Ao delegar porém aos genes a responsabilidade pela magreza ou obesidade, deixamos de lado nossa participação no processo. Alguns estudos bem interessantes, avaliaram gêmeos idênticos, criados em ambientes diferentes. Muitos desses trabalhos feitos com imigrantes japoneses que mudaram para o Havaí enquanto seu irmão idêntico ficava no Japão. O resultado demonstrava que o ambiente novo influenciava o irmão imigrante e este engordava enquanto o outro permanecia magro.

Recentemente um estudo demonstrou que mães ativas e que se alimentam equilibradamente junto com os filhos são mais magras e possuem filhos mais magros, ou seja, o exemplo materno determinou a composição corporal do filho. Gosto da expressão em inglês para isso: walk the talk.

Agora, o golpe mais cruel nessa proposta de ser magro porque a genética determina, foi publicado recentemente pela revista Cell metabolismo. Os autores escolheram camundongos geneticamente determinados para serem magros e ofertaram uma alimentação rica em proteína. Eles terminaram com a mesma composição do grupo de controle. Pegaram então camundongos geneticamente determinados para serem obesos e ofertaram dieta rica em carboidratos e os animais não engordaram.  Por último ofertaram  dieta rica em gordura para um grupo de camundongos geneticamente modificados para serem magros e esses animais engordaram.

Os animais geneticamente determinados para serem magros engordaram ao consumir mais gordura. Os autores associaram duas razões para isso:

1) gordura não consome grande quantidade de energia para ser incorporada em gordura no organismo e

2) a gordura apresenta resposta hedônica no sistema nervoso central. Assim, ao ingerir mais gordura o sentimento de prazer estimula a ingerir mais gordura e, repetindo esse padrão, engordamos.

Então da próxima vez que você pensar em chamar sua amiga magrinha de sortuda por ter boa genética lembre-se, não é a genética que determina e sim a escolha dos alimentos s serem ingeridos.

 

Por Antonio Herbert Lancha Jr – Vitria Seguros

Bacharel em Ed. Física – USP
Mestrado e Doutorado em Nutrição – USP
Pós- doutorado em Medicina Interna – Washington University

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